Aeronave elétrica da Eve Air Mobility mira transformar o transporte urbano global; produção começa em Taubaté com expectativa de até 480 unidades por ano
A mobilidade aérea urbana está prestes a ganhar os céus com protagonismo brasileiro. A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer dedicada ao desenvolvimento de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL), anunciou que seu “carro voador” já acumula cerca de 2.800 encomendas globais, com valor estimado em US$ 14 bilhões, aproximadamente R$ 76 bilhões.
A produção em série será realizada em Taubaté, interior de São Paulo, em uma planta com capacidade para fabricar até 480 aeronaves por ano. A unidade industrial será instalada em terreno da Embraer e deve iniciar a fabricação em escala nos próximos dois anos, com operação comercial prevista para 2027. Os primeiros voos de teste do protótipo estão agendados para o fim de 2025.
A aeronave da Eve comporta cinco ocupantes (um piloto e quatro passageiros), tem autonomia para voar até 100 quilômetros e foi projetada para atender à crescente demanda por soluções de transporte aéreo urbano e regional de curta distância, com foco em agilidade, sustentabilidade e segurança.
Mercado promissor e inovação nacional
A Eve já soma aproximadamente 2.800 unidades em sua carteira, entre pedidos firmes e cartas de intenção de compra, o que representa uma cobertura de quase seis anos de produção. A estimativa da empresa é que o mercado global possa operar com até 30 mil veículos eVTOL até 2045, movimentando cerca de US$ 280 bilhões em receitas com transporte de três bilhões de passageiros.
Embora a maioria dos pedidos atuais ainda esteja em forma de intenção, o volume demonstra o forte interesse internacional pelo modelo desenvolvido no Brasil. O diferencial da Eve é oferecer não apenas a aeronave, mas um ecossistema completo que inclui infraestrutura urbana, formação de profissionais e regulamentação específica para esse novo segmento.
Produção nacional e impacto regional
A fábrica será construída em etapas, com aumento gradual de produção até atingir sua capacidade máxima. Em plena operação, estima-se que a unidade empregará cerca de mil trabalhadores, reforçando o polo aeroespacial do Vale do Paraíba. Os protótipos estão sendo desenvolvidos em São José dos Campos e os testes de voo ocorrerão em Gavião Peixoto, ambas unidades ligadas à Embraer.
A escolha por Taubaté foi condicionada, inclusive, pelo financiamento obtido com o BNDES. O banco estatal já aportou R$ 1,5 bilhão no projeto, sendo R$ 405 milhões mais recentemente, com a exigência de que a planta industrial fosse instalada no Brasil. Os recursos estão sendo usados para estruturar o capital da Eve, além de acelerar o desenvolvimento da aeronave e viabilizar sua entrada no mercado.
Alternativa rápida ao trânsito urbano
A principal proposta do eVTOL é oferecer deslocamentos rápidos em áreas metropolitanas congestionadas. Um dos exemplos citados pela Eve é a rota entre a zona sul de São Paulo e o Aeroporto Internacional de Guarulhos: o trajeto, que pode levar até 150 minutos de carro, poderá ser feito em cerca de 15 minutos com o “carro voador”.
Com propulsão totalmente elétrica, a aeronave também é silenciosa e sustentável, alinhada às metas globais de descarbonização do setor de transporte. Isso abre espaço para sua aplicação em áreas sensíveis como turismo, segurança pública, transporte médico e até logística de alta prioridade.
Desafios regulatórios e de infraestrutura
Apesar do avanço técnico, o sucesso da mobilidade aérea urbana depende de outros fatores além da produção. Um deles é a regulamentação. A ANAC prevê que a certificação da aeronave da Eve ocorra até 2027, o que condiciona o início das operações comerciais.
Além disso, será necessário desenvolver infraestrutura urbana específica, como vertiportos (locais de decolagem e pouso vertical), sistemas de recarga para aeronaves elétricas, controle de tráfego aéreo urbano e integração entre modais. A Eve está atuando em todas essas frentes para garantir que o ecossistema de mobilidade aérea urbana seja funcional, seguro e escalável.
Perspectivas para o Brasil e o setor aeroespacial
O desenvolvimento e a produção do eVTOL no Brasil coloca o país na vanguarda da nova era da aviação. O setor aeronáutico nacional, tradicionalmente focado em jatos regionais e executivos, agora amplia sua atuação para um segmento disruptivo com grande potencial de crescimento.
A participação da Embraer, uma das maiores fabricantes de aeronaves do mundo, é um diferencial competitivo. Com sua expertise, rede de parceiros e estrutura global, a empresa oferece credibilidade e suporte técnico para transformar o projeto da Eve em realidade operacional.
A fabricação local do “carro voador” também gera oportunidades indiretas para empresas fornecedoras, centros de pesquisa, universidades e startups ligadas à mobilidade, energia, eletrônica e inteligência artificial.
As principais perguntas sobre o carro voador da Eve
Quando o carro voador da Eve começará a voar?
O primeiro voo do protótipo está previsto para o fim de 2025, com início das operações comerciais estimado para 2027, após a certificação da ANAC.
Quantos pedidos a Eve já recebeu?
A empresa soma cerca de 2.800 unidades encomendadas, incluindo cartas de intenção e pedidos firmes, avaliados em US$ 14 bilhões.
Qual é a autonomia e capacidade da aeronave?
O eVTOL da Eve tem capacidade para cinco pessoas (um piloto e quatro passageiros) e autonomia de até 100 km por carga.
Onde será fabricado o carro voador?
A produção em série ocorrerá em Taubaté (SP), em uma unidade pertencente à Embraer, com capacidade de até 480 aeronaves por ano.
Qual o impacto para o transporte urbano?
A aeronave promete reduzir significativamente o tempo de deslocamentos urbanos, com trajeto de até 150 minutos feito em cerca de 15 minutos, além de operar de forma sustentável e silenciosa.
Quais são os usos além do transporte de passageiros?
Além da mobilidade urbana, o eVTOL poderá ser usado em turismo, missões médicas, transporte de órgãos, operações de segurança pública e entregas rápidas.
Quem financia o projeto?
O BNDES já investiu R$ 1,5 bilhão no projeto, incluindo R$ 405 milhões mais recentes, com contrapartida da instalação da fábrica no Brasil.

