Em seu melhor resultado desde 2011, o mercado de financiamentos cresce 2% no ano, puxado pelas regiões Norte e Nordeste; usados lideram, e motos têm aumento expressivo de crédito
O mercado brasileiro de financiamento de veículos alcançou em 2025 o maior volume em 14 anos, com 7,3 milhões de unidades financiadas. O número representa um avanço de 2% em relação a 2024 e marca a continuidade de um ciclo de crescimento que já dura três anos consecutivos, conforme levantamento da B3, operadora do Sistema Nacional de Gravames (SNG).
O dado consolidado inclui veículos novos e usados — abrangendo automóveis leves, caminhões e motocicletas — e aponta a recuperação sustentada do crédito automotivo no país, impulsionada principalmente pelo desempenho acima da média nas regiões Norte e Nordeste.
A última vez que o mercado havia superado a marca dos 7 milhões de financiamentos foi em 2011, ano de forte expansão do setor. Desde então, o número vinha oscilando com quedas acentuadas em momentos de retração econômica, como em 2015 e 2020.
Regiões Norte e Nordeste puxam alta
A análise regional revela contrastes marcantes. Em 2025, o Nordeste liderou o crescimento percentual de financiamentos, com alta de 12,3%, seguido pela região Norte, com aumento de 9,8% no ano. Ambas contrariam a leve retração observada no Sudeste (-1,2%) e no Sul (-1,9%), regiões com mercados mais maduros e de maior volume absoluto.
Ainda assim, o Sudeste manteve a liderança no número total de financiamentos, com 41,9% de participação no mercado, seguido pelo Sul (20,2%), Nordeste (19,5%), Centro-Oeste (10,6%) e Norte (7,9%).
Usados dominam e motos se destacam
Do total de financiamentos em 2025, os veículos usados representaram 4,6 milhões de unidades, superando com folga os 2,6 milhões de veículos novos, conforme a B3. A preferência por usados se reflete especialmente no segmento de automóveis leves e comerciais, onde o crédito para modelos com mais de quatro anos de uso cresceu até 22,3% em algumas faixas de tempo.
Outro destaque é o financiamento de motocicletas, que alcançou 1,92 milhão de unidades financiadas, registrando crescimento de 11,3% em relação ao ano anterior. O movimento reflete a busca por alternativas de mobilidade mais acessíveis e econômicas, sobretudo em regiões metropolitanas e áreas periféricas.
Entre os estados, São Paulo lidera os financiamentos de motos, com 18% do total, seguido por Pará (7,7%) e Minas Gerais (7,5%), indicando uma diversificação geográfica da demanda.
Modalidades de crédito e perfil do financiamento
A modalidade de crédito mais utilizada segue sendo o Crédito Direto ao Consumidor (CDC), que respondeu por 86,3% das operações em dezembro de 2025. O CDC teve crescimento de 11,8% em relação a dezembro de 2024, reafirmando seu papel central no mercado. O consórcio vem em segundo lugar, com 13% de participação.
O prazo médio de financiamento para veículos leves manteve-se estável, em torno de 46 meses, com leve variação negativa frente a 2024. Essa estabilidade aponta para uma consolidação da confiança no crédito de longo prazo por parte dos consumidores.
SNG e combate a fraudes
Segundo a B3, o fortalecimento do mercado de financiamentos está diretamente ligado à segurança e agilidade proporcionadas pelo Sistema Nacional de Gravames (SNG), que registra restrições financeiras sobre veículos oferecidos como garantia em operações de crédito.
“O terceiro ano consecutivo de crescimento das vendas financiadas comprova a importância da concessão de crédito e a consolidação do mercado automobilístico”, afirma Thiago Gaspar, superintendente de Produtos da B3. Ele também destaca o papel da infraestrutura tecnológica da bolsa na redução de fraudes e aumento da transparência.
Panorama histórico
O crescimento de 2% em 2025 se soma aos avanços de 20,4% registrados em 2024 e de 10% em 2023, conforme série histórica da B3. Desde 2021, o setor vive uma retomada contínua, impulsionada por juros mais controlados, expansão do crédito e evolução dos mecanismos de análise de risco.
Embora o financiamento de veículos novos ainda não tenha retomado os patamares de antes da crise econômica e da pandemia, a tendência é de crescimento moderado e sustentado, com foco na ampliação da base de consumidores e no fortalecimento da confiança no crédito.

